terça-feira, 5 de maio de 2009

Lindo Céu, linda manhã,
Vivo uma vida de mel,
O sol brilha e me faz perceber,
Como pode alguém nesse mundo
Não saber que o melhor da vida é viver?

Acordar, espreguiçar, levantar,
Vestir uma roupa bonita,
E ficar nua de todo mal,
Mergulhar de cabeça no bom humor
E ao estresse dizer: tchau

Após desejar para mim mesma tudo de positivo,
Vou os dentes escovar, cabelos pentear,
Batom também vou passar,
Mas o melhor de tudo é
Mergulhar, mergulhar de cabeça num café da manhã perfeito
Que por mim está a esperar

Depois de tudo, novamente os dentes escovar,
Me preparo para novamente mergulhar,
Mergulhar na pista da alegria com a minha bike,
Lá os amigos vou encontrar,
E então poderemos conversar,

Na pista da alegria onde estou a pedalar,
Encontro uma triste moça,
Formando um rio de lágrimas à sua frente,
Por que seus olhos estão a chorar?
Sentada num banco, descalço se levanta e......
Meu Deus, começa a mergulhar,
Mergulhar numa lata de Lixo que está a lhe esperar.

Com veracidade, come o que ali encontrou,
Com certeza se alimenta do resto que alguém deixou,
E o terror de muitas bactérias que ali já se apossou,
Vendo essa lamentável situação
Pude então observar,
que enquanto vivo num mundo de prazer,
Outros vivem, ou melhor, sobrevivem,
Sem saber o que fazer, sem saber como lutar.


Como pode, meu Deus?
Uns com a mesa farta,
Escolhendo o que comer,
Outros, sem opção, mergulhando,
Possuindo o resto do resto para sobreviver.

Como pode essas pessoas algum momento sorrir,
Vivendo constantemente na noite,
Vivendo sempre no escuro, sem saber onde pisar,
E o que está por vir.

Lazer, arte, cinema, roupa bonita e computador,
Essas coisas para os miseráveis são como as estrelas do céu,
Que podemos mergulhar no seu encanto e contemplar,
Sem ao menos poder experimentar

Vivo uma vida de mel,
Tendo tudo de que preciso e quero,
Ainda não conheci o fel,
O fel de vida que muitos tem e
Que pra mim, jamais quero.

Vivo sempre um dia claro,
Sabendo onde pisar,
Agora me deparando com esta cena,
Pude então me envergonhar,
Sabendo que tenho tudo, e outros,
Que não tem o que comer,
E nem um sonho pra mergulhar.

Ajuda-me ó Deus,
A esta vida e a outras muitas,
Poder eu ajudar,
Diga-me o que fazer,
Pra eu começar a mergulhar.



(Noêmia Salão. Letras A 2009)

















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